Let me give your heart a break.

sábado, 12 de janeiro de 2013 0 comentários
— Acorda bela adormecida! — falou alguém me tacando uma almofada. — Você ama me chamar disso né Miley? — falei colocando meu travesseiro por cima da cabeça para não ouvi-la. — Justin está lá fora. — Miley falou num tom de desentendida. Levantei a cabeça. — Justin ? Tem certeza? — falei mirando o olhar pra Miley, que olhava impaciente para o seu relógio. — É, é! Não sou débi-mental, Selena. Eu sei distinguir as pessoas. — Vai que... — falei rindo. Miley resmungou e correr descendo as escadas. Lavei o rosto e desci, e dei de cara com Justin fitando a bunda de Miley. Cena linda, após acordar, né ? Rangi a garganta pra chamar sua atenção, e Justin virou pra mim com as bochechas avermelhadas. — Duas horas Selenita. Esqueceu ? — ele falou rindo. Bufei e saí, sem me despedir de Miley, ou de tia Morris. O caminho até a escola foi longo, e sem diálogos. Justin evitava olhar em meus olhos, e eu nos deles. É como se um tivesse medo do outro. E talvez estivéssimos... *** — Nunca entrei aqui. — falou Justin passando a mão nos livros empoeirados da biblioteca particular da escola. Era um lugar pequeno, reservado para trabalhos de literatura, história e português. — Tudo têm sua primeira vez. — falei sem ânimo colocando minha mochila em um canto. Fui até a janela, e fiquei por um tempo, apreciando o sol que acariciava minha pele, que cuidava de mim. — Então... vamos começar. — Justin falou, enfregando as mãos, e ajeitando seu chapéu. Eu não via necessidade nenhuma daquele chapéu. Sentei-me ao seu lado e abri meu livro. — O que temos que fazer? — falei apoiando minha cabeça em minha mão. Eu podia dormir a qualquer momento, sorri com a possibilidade. — Ler um texto aí de Shakes. — Shakespeare. — falei o corrigindo. — Isso. — ele retrucou com um sorriso. Revirei os olhos. — e depois escrever um texto baseado no tema desse texto: o amor. — Perfeito! — falei irônica. — Não acredita no amor, Selena? — ele falou tirando sua atenção do livro. Eu não estava gostando nem um pouco do rumo que este trabalho estava tomando. — Na minha opnião, de todas as drogas que o homem inventou, o amor é o pior. — falei olhando fundo nos olhos de Justin. Pra minha surpresa ele não desviou o olhar. Nos encaramos por um tempo, até voltarmos juntos o olhar ao livro. Justin estava me desconcertando. Eu odiava isso. — O amor só é amor, se não se dobra a obstáculos e não se curva à vicissitudes... é uma marca eterna... que sofre tempestades sem nunca se abalar. — leu Justin. Essa parte me chamou atenção. Bufei e soltei um riso irônico. — O que houve? — ele disse fechando o livro. — Não era amor então. — eu disse. Sem medir as palavras. Sem pensar nas consequências. Justin arqueoou as sobrancelhas. — Do que você tá falando? — perguntou molhando os lábios. — A gente. — falei. Eu estava sendo idiota. Eu estava falando sem ao menos ouvir o que falava. Estava apenas cuspindo as palavras, que estavam em mim. — Se o verdadeiro amor aguenta tudo isso, a gente nunca foi amor. — Como pode ter tanta certeza? — ele falou se levantando e colocando o livro numa das prateleiras. — Você não percebe? Se fosse amor, você não teria me magoado. Se fosse amor, eu não teria te odiado. Se fosse amor... seria amor, e só. — falei levantando a voz, e me levantando. Eu não sabia o que estava fazendo. Mas estava com um desejo enorme de mostrar a Justin o que estava sentindo. — Porque você não se põe em meu lugar Selena? — Justin falou levantando a voz também. — Eu estava frente a frente com meu sonho. Eu sempre quis sair de Filipi City. Surgiu uma oportunidade. O que você faria? — Justin. Essa não é a questão. A questão é que você nem se dispois a falar comigo. A me fazer mudar de ideia sobre fazer naquela época. Justin, eu tinha 09 anos. Só 09 anos. Eu não sabia sobre o amor. Nunca soube. E você me enganou com suas promessas, com suas falas. — eu falava num tom tão alto, que via o momento que a diretora entraria ali pra me colocar em mais um serviço comunitário. — EU TAMBÉM ERA CRIANÇA, SELENA. EU QUERIA SAIR DESSA CIDADE! — E porque voltou ? — falei com lágrimas nos olhos. Dei as costas e fitei novamente a janela. — POR VOCÊ! — Justin gritou. — Por você Selena. Minhas pernas estavam bambas, e meu cérebro mandava tantos comandos para meu corpo, que eu não sabia o que fazer. — Como assim por mim? — falei me virando, pra ele. Ele ficou calado. — EU TE ODEIO JUSTIN! — falei, derramando minhas lágrimas pelo chão. — EU TE AMO! — ele gritou de volta. — É dificil de acreditar Justin. — falei seguindo até inha mochila. As mãos gélidas de Justin puxaram meu braço, me levando a sua frente de novo. Eu sabia aonde aquilo ia dar. E uma parte de mim, queria. Justin me pressionou até a prateleira, em um movimento contínuo. E num golpe rápido seus lábios tocaram os meus. O beijo. O beijo que esperei 8 anos para acontecer. Os lábios de Justin eram adocicados e macios. Nossas bocas se movimentavam em uma bela sintonia, como se tivessem ensaiado aquele momento durante anos e anos. As mãos de Justin exploravam todo o meu corpo. Eu pude sentir seu beijo atingir minha alma. Me deixei levar por aquela magia, mas minha racionalidade estragou como sempre meus momentos perfeitos. Empurrei Justin com as mãos, e com dificuldade larguei seu lábios. Eu estava ofegante. — E-eu não posso me entregar à você Justin. Não quero me magoar. — falei deixando minhas lágrimas caírem. — Confia em mim Selena. — ele falou alisando suas mãos pelo meu rosto. — Eu te amo de verdade. Abaixei o olhar e lembrei da dor que senti da primeira vez em que fui magoada por ele. Eu não estava pronta pra sentir isso de novo. Eu tinha medo. — Tenho que ir. — falei saindo de seus braços, e pegando minha mochila. Eu fugi... mas talvez fosse o melhor a fazer.

0 comentários:

Postar um comentário